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SÉRGIO FRACASSO
Histórias de Aeromodelistas › SÉRGIO FRACASSO

Por: José Sery Gino Fracasso

A paixão desse italiano pelo aeromodelismo teve início em meados de 1943 ainda na região do Veneto ao norte da Itália. Naquela restritiva época e no meio da segunda guerra mundial tudo era muito difícil. Com 13 anos ele já construía pequenos planadores usando madeira leve que ele extraia das caixas de verdura comercializadas na loja de secos e molhados da família. Pra que isso fosse possível ele deixava o compensado imerso em água da noite para o dia, separava as folhas do prensado e depois as deixava secar tomando o cuidado para não empena-las.

A maior festa pra criançada acontecia quando a artilharia antiaérea conseguia derrubar um dos muitos P51 Mustang que escoltavam as fortalezas voadoras B17. As B17 passavam todos os dias para bombardear a Alemanha e não eram poucas, algumas centenas que sobrevoavam por horas a fio na ida e depois na volta da missão. No entanto o P51 volta e meia voava baixo para atacar a antiaérea e se dava mal. Quando caia e não explodia virava uma verdadeira fonte de matéria prima. Ele tinha a longarina da asa feita de madeira balsa, imaginem a festa. 

O pequeno Sérgio ficava fascinado quando lançava com as mãos os pequenos modelos e o correspondente voo acontecia. Sua curiosidade só aumentava com a ciência por trás de tudo aquilo.

Foi também ainda na Itália que ele viu pela primeira vez um aeromodelo de VCC (Voo Circular Controlado) equipado com motor diesel. Foi numa praça perto de sua casa quando na oportunidade um aeromodelista tentava fazê-lo funcionar. O deleite e a ansiedade do pequeno Sérgio foi tanta que o fez esquecer que a mãe o esperava em casa. Ao chegar tarde acabou levando uma bronca. Mas toda aquela experiência serviu para que ele nunca mais abandonasse a paixão pelo aeromodelismo.

A segunda guerra acabou com o sonho de muitas famílias do velho mundo. Arrasadas elas se espalharam pelo planeta em busca de paz e de um recomeço para suas vidas. Foi no Brasil após anos de árdua dedicação que o Sr. Sérgio tornou-se um profissional de sucesso como administrador de empresas. Mas antes disso o recomeço para todas as famílias de imigrantes, foi muito dolorido. 

Baixada a poeira por volta da década de 50, o Sr. Sérgio volta a construir pequenos planadores movidos a elástico. Dessa vez para brincar com os filhos.

Porem foi na década de 60 que tudo convergiu para que ele ingressa-se freneticamente no aeromodelismo.

Morando então na zona norte de São Paulo ele construiu vários modelos alguns comercializado pela Casa Aero Brás. Saudosos planadores Cirrus, modelos a elástico, Instrutor, Asa Delta, Tamanco, Manicaca, Olímpia, Majestoso e Cacique dentre outros.

Naquela época a mídia impressa era o único recurso técnico para quem procurava evoluir. As revistas importadas especializadas no aeromodelismo eram fantásticas e completas até certo ponto. Além delas existiu uma chamada Mecânica Popular (versão americana) que trazia muitos artigos interessantes sobre o esporte. Foram de revistas americanas, europeias e japonesas que o Sr. Sérgio tirou plantas para seus próprios kits de velocidade AMA, Team Racing, Combate e de outros aeromodelos campeões em acrobacia VCC tais como, Nobler, Thunderbird e outros híbridos. Para alguns modelos ele traçava e recortava todo kit em chapa de alumínio e usava os gabaritos para produzir vários kits para montagem.

Nos anos 60 o aeromodelismo VCC da zona norte era praticado com a autorização e supervisão de órgãos competentes na porta do último e algumas vezes do penúltimo hangar da área particular do Campo de Marte. Era uma provisória e notória loucura. Quando as “aeronaves tripuladas” chegavam ou saiam do hangar, todos recolhiam o equipamento e liberavam o pátio para o aeroporto. Algumas vezes, sempre que era autorizado pelos militares, o grupo viajava até a base aérea de Cumbica para lá dentro praticar o saudável esporte. Nessa ocasião o Sr. Sérgio construiu e aprendeu a pilotar o seu primeiro aeromodelo RC, um Stormer equipado com rádio Orbit Super-Heterodyne.

Convidados a deixar o Campo de Marte, aquela turma foi migrando para os campos de futebol de várzea que ficavam enfileirados um ao lado do outro onde hoje está localizado o Parque Anhembi. A turma ficava hora num canto, hora noutro.

Em meados de 1965 próximo à Praça 14 Bis, o Sr. Sérgio e todo o corajoso grupo de aficionados fundaram o CASA (Clube de Aeromodelismo de Santana). Não foi fácil conseguir o direito de uso do terreno. Na ocasião ele teve que falar pessoalmente com o prefeito de São Paulo, brigadeiro Faria Lima que apoiava a atividade, tanto é que em 1968 o prefeito inauguraria o belíssimo Modelódromo do Ibirapuera com suas duas pistas, arquibancadas e tanque de nautimodelismo. Lembro-me perfeitamente quando colocamos nosso automóvel Gordini para esticar o arame da cerca provisória daquela pista de terra do CASA. Uma foto clássica tirada pelo Sr. Paulo Takeno (Casa Aero Brás) de todos sócios fundadores no dia da inauguração do clube, foi publicada numa importante revista japonesa naquele mesmo ano.

Nessa época estavam em moda as asas voadoras para Combate e o Sr. Sérgio construiu muitas delas. Aeromodelo normalmente composto por uma asa, sem fuselagem e sem profundor, atraia pela dinâmica do voo, velocidade e competitividade entre os participantes. Arrastando uma fita longa de papel amarrada ao aeromodelo, um competidor tinha que cortar com a hélice do seu avião a fita do outro competidor. Os duelos eram eletrizantes e vez ou outra com resultados devastadores. Pura adrenalina para quem pilotava e para quem assistia, ainda hoje atrai grande público onde a modalidade é praticada.

Cansados da falta de foco numa categoria em especial, num certo dia em 1966 decidimos em reunião de família que dedicaríamos nosso cada vez mais escasso tempo a uma só modalidade. A Velocidade FAI F2A. Juntamente com os dois filhos Sérgio Domenico Fracasso e José Sery Gino Fracasso o Sr. Sérgio marcou sua época na história dessa categoria, considerada a mais técnica no aeromodelismo VCC.

No período entre 1967 e 1974 foram construídos Pink Lady, monoasas, asas elípticas, projetos pessoais de speed que conquistaram muitas vitórias e títulos, com destaque na conquista do Campeonato Sul Americano e Pan Americano de Velocidade em 1972.

Em 1976 o Sr. Sérgio juntamente com a esposa dona Adriana Fracasso se mudaria para Ajapi e posteriormente para Rio Claro, interior de São Paulo. Ainda morando em Ajapi, o Sr. Sérgio conseguiu de um viveiro de Santa Catarina algumas mudas de Kiri, uma árvore de origem chinesa pouco conhecida pelos aeromodelistas. Plantou as mudas numa das granjas que ele administrava. Enquanto as árvores não ficavam prontas para o corte, ele construiu o próprio maquinário para beneficiamento da madeira (serra de fita e lixadeira para desbaste e calibragem de espessuras de chapas). Deu muito trabalho até acertar as máquinas, mas tudo funcionou perfeitamente. Essa madeira que ainda é usada até hoje foi aplicada em todos os aviões de 30% de escala que ele construiu.

Dedicando-se mais ao RC, o Sr. Sérgio construiu e pilotou aviões leves, balanceados e incríveis. Ele sempre usou a última palavra em materiais modernos, adquiridos após árduas, difíceis e muitas vezes demoradas jornadas de pesquisa e prospecção. Quantificar ou elencar todos os modelos que ele construiu é praticamente impossível. Foram obras únicas e em alguns casos em pequena escala de produção. Podemos destacar entre eles o Spaca, Stik, Stearman PT-17, Fokker D.VIII, Cessna, Piper Skylane, Spitfire, vários modelos para RC F6D Pylon Racing, muitos Bücker Jungmeister, Extra, Ultimate Blue Hawk, planador RC ASH 26 e muitos Sukhoi, dentre outros lindos, lindos, lindos modelos.

Recentemente com todo o empenho que lhe é característico, ele construiu uma réplica em escala de uma das versões do Bleriot XI de 1909. Foram 17 meses de horas a fio para concluir o aeromodelo chegando a produzir a mesma peça por várias vezes até que chegasse onde ele queria. O custo desta obra ficou inviável, mas para o Sr. Sérgio o mais importante sempre foi buscar desafios para perseverar e provar a si mesmo que para colocar um sonho em prática bastam dedicação, foco e muito empenho.

Pela sua garra e por sempre ter prestigiado e difundido o aeromodelismo no Brasil e por ser muito querido por todos os aeromodelistas de Rio Claro e do entorno é sempre lembrado e homenageado nos eventos. Recentemente no último dia 01 de Agosto de 2015 alem da bela homenagem preparada pelos amigos Rogério Lorizola presidente da COBRA (Confederação Brasileira de Aeromodelismo), Antenor Spiller, Wanderley Soares e tantos outros que sempre o prestigiaram com muito carinho e que pedimos desculpas por não elencar aqui, viu as siglas de seu nome “SF” marcando os troféus da etapa do Campeonato Brasileiro de RC Escala realizada no belíssimo Clube ASA em Santa Gertrudes.

Atualmente com 86 anos ele voltou a praticar speed, construindo modelos, moldes, hélices, peças de motores, válvulas, enfim sempre ajudando, incentivando e contribuindo incansavelmente para o enriquecimento desse encantador esporte aqui no Brasil.

Outras obras de Sérgio Fracasso no Youtube: “Bleriot XI” e “Brabham BT49C 1982 de Sérgio Fracasso”

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